sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ela vinha logo atrás de mim na fila da farmácia. Ela vinha sem preferencial, com sua bengala. Trêmula. A pele branquinha e encarquilhada, completamente, o cabelo branquinho, liso, curto... Trêmula. A atendente olhou para ela: tudo normal! vida que segue! - pensou a atendente. Lembrei de minha avó América. A atendente chamou, deixei a velha passar e cheguei então no pescoço dela, deixando correr a língua em sua nuca, oscilando nas rugas a língua, sussurrei vaporoso: gostosa! - Ela até parou de tremer.

Então pensei em velhas em beiras de camas, tetas murchas, netos que falam na sala, sua família, seus filhos, suas irmãs beijando meu rosto... As tetas despencadas como bexigas vazias no quarto. A porta azul claro fechada. O chão de tacos. Os meninos trepidando na sala. O videogame ligado. A cama tremendo. A porta azul fechada claro. A velha e eu no escuro.

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