sexta-feira, 25 de novembro de 2016

AS REUNIÕES AMIGÁVEIS DEVEM SE BASTAR.


Hoje penso assim: se eu quero questionar o amor, Deus, os desejos - isto é problema meu e merece a descrição e delicadeza de ser retirado do convívio comum e pessoal. Minhas verdades e desejos são antes "meus" do que "verdades" e "desejos"! A minha inclinação para investigar, assim como o que me apraz que seja o objeto investigado, são muitas vezes minhas investigações e não das rodas de que participo. Colocadas, se tanto, num blog, em livros. Em suma, veiculado em meios discretos de existir e não nas rodas amigáveis. Ali os encontro e converso com eles se participo de valores convencionais pertinentes, se a isto estou disposto. Claro que algumas rodas "rebeldes" me possibilitam a temática de questionar desejos, o amor, deus... São, enfim, rodas filosóficas de fato! Mas elas nunca possibilitam a autoanálise no sentido de análise da roda em si, os motivos de estarmos ali quando não parecem tão nobres e cristãos devem ser escondidos por delicadeza etc. Para unir uma roda, qualquer que seja, ou mesmo duas pessoas, são necessários enganos, ilusões de mútua compreensão ou de interferência. Os comensais creem, cada qual, que com as suas verdades (opiniões) podem alterar as verdades dos outros, os próprios outros. Normalmente, lecionamos nas rodas, nas mesas, com nosso tom de voz, nossos gestos, nosso apetite em dizer o que dizemos, e não própria e exclusivamente com o que dizemos. Se é impossível alterar a realidade de outro? Diria que é impossível não fazê-lo, mas não como queremos com as palavras, não apenas com o verbo - cru, sem corpo - pretenda. Portanto é absurda aquela proposta bíblica de que primeiro veio o verbo e depois o mundo, a vida! Precisamos entender que os discursos emanam da vida, são complementados pelas circunstâncias. Quando você pensa dizer algo com as palavras, pode o estar negando com o corpo, com ações, gestos, tom de voz. Também pode não estar conseguindo a atenção necessária para transmiti-lo com seu devido peso. As pessoas prestam atenção muito nelas mesmas nas rodas, policiam-se, querem ser antes de tudo queridas ali. Quanto a serem ouvidas, basta que tenham a sensação. Sair de uma reunião achando que o que você disse num dado momento será levado em conta em proporção à força ou à fraqueza que o fez dizer,  em relação proporcional à sua necessidade, mesmo ignorando esta força ou esta fraqueza, é pretender-se um Deus. É uma megalomania distraída de si, talvez a megalomania em sua forma mais nociva, quando ela começa a esperar como se lhe devessem resultados tais e quais. A força ou a fraqueza, a necessidade são suas, os outros a ela nada devem. Exceto se assinam um contrato  (melhor que tácito), mas estas são rodas profissionais, ou seja, pouco amigáveis.

Um comentário:

  1. Mais e mais meus questionamentos ou despreocupações giram próximos a isso.

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