sábado, 19 de novembro de 2016

O APAGADOR AMÁVEL

Apertando um pouco a visão para aguçá-la, consigo ver algumas ideias escritas no quadro-negro de nossa ignorância, assim dispostas: 

Verdade:
Justiça; Liberdade; Igualdade...  

Outras se dispõem em letras muito pequenas, é difícil deduzir aqui do fundo da sala; no entanto, me falta coragem de me aproximar e fazer realidade do que é temerosa suspeita. No mais, o professor, Sr. Conveniente, é muito rigoroso e não tolera inconveniências: dúvidas. Resolve-me a espera, na aula da Sra. Dor - muito mais construtivista, por sinal -  farei um esforço, levantar-me-ei. Se encontrar lá escrito o que parece daqui do fundo ser "Amor", juro que apago! É isto ou matar aulas e cantarolar nas alamedas desta travessura: "Ah, a vida não é algo tão de se saber, mas de se gastar".

Eis que a aula da Dor vai começar, muitos alunos saem correndo para fora da sala... alguns tropeçam e não conseguem sair, outros trouxeram analgésicos para dormir em plena aula. E a professora entra dizendo assim:

- O sr. Conveniente já lhes explicou o que é útil crer para a civilização, não é mesmo? Agora lhes fará bem um pouco de verdades! O caso é que cada qual se aprofundará na matéria quanto mais puder suportar-me. Os que trouxeram analgésico podem sair da sala! Quanto aos demais... Acontecerão aqui aprendizados muito inconvenientes e de utilidade ainda duvidosa.  Mas sabemos que todos os grandes gênios tiveram de, bem ou mal, frequentar minhas aulas. Mais gênios foram o quão assíduos e atentos aos conteúdos. Bom, o que cada um aprende aqui é diferente, porque é muito particular... Ao contrário do que muitos dos senhores pensam, estou aqui pára ajudá-los na vida! Eu os aconselho, se não quiserem ter que assistir mais aulas dessas do que o necessário, a não saírem alardeando os teores de nossas lições por aí, aprende-se mais solitária e silenciosamente, até mesmo porque a maior parte dos teores é incomunicável...

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