quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

QUE FALEM!

fale em mim o piedoso ou impiedoso! fale em mim o que o faça ver direita ou esquerda. algumas vezes o indiferente, por andar muito calado! fale em mim um ateu ou um cristão... ou os dois se afoitem numa conversa sem fim! fale o que nem mesmo eu sei que há em mim! o que houver de conceito ou preconceito seja exposto! não tenho ideologias da mesmíssima maneira que não tenho filhos, não há orgulho nessas tendências não adquiridas. tampouco filhos ou ideologias são em mim alguma falta. menos ainda são as palavras uma picada que abro em território selvagem, por onde darei meu próximo passo civilizado! não me têm projetos grandes para uma nova realidade, nunca me capturaram de verdade. tenho a realidade de agora, a luz ampliando no chão o vão aberto de uma porta é o meu partido. o medo, a vontade, o risco... um jardim espera por mim sem expectativas de éden. tenho obrigações de um dono de casa, sem que eu seja dono de nada. tenho um homem dentro de mim, intuo muito bem minha semelhança com os outros. ela me diz que está melhor arranjado cuidar de mim mesmo. mas quem senão eu sabe de que cuidados necessito? pois fala em mim também o doente!

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