segunda-feira, 11 de setembro de 2017

CABE!

num quarto até bastante comum
nem mesmo um abajur havia
eu vi o amor caber
numa noite...

bastou a desconfiança se cansar...
deixar os corpos deitarem...
shiu! não pense, não julgue... entregue-se!

dois corpos se deixarem.
epidermes coladas, a sensação de peso do outro...
a sensação outro-eu
físicos estáticos!

ali!
onde ninguém jamais suspeitaria...
eu vi o amor com a mesma clareza que via a coberta marrom dobrada sob nós...
numa noite,
simples e magnífica

as palavras de mãos dadas se atirando no silêncio, nos gemidos...
as caladas palavras gemidas....
os corpos deixados como peças de roupa de um deus calorento

deus santo! eu vi o amor ali...
a luz acesa, claro... nela
num quarto, num turno...
"cabe!" - espanto.

num tempo vitalício se dissolvesse
mas ali cabia, intenso... química!
como um comprimido:
pequeno, engolível...
e cheio da cura
de termos vivido sem ele!


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