sábado, 4 de novembro de 2017

"LUZ! LUZ! MAIS LUZ!"

quando uma pessoa acaba  na gente,
dói porque não é súbito apagar-se,
acaba gradativamente

primeiro vai perdendo a forma na distância necessária 
o traço que a distinguia de todo resto do mundo
se torna impreciso
as mãos trêmulas de nosso pensamento 
já não desenham o outro em forma convincente
como quando nos beijávamos de olhos fechados e sabíamos 
um corpo em nossas mãos, à nossa frente.


a massa que media em quilos sobre nós
torna-se imensurável tristeza por dentro,
como se ela finalmente nos penetrasse 
na forma áspera e enorme do que é perda.

se olhamos o retrato, por exemplo,
sentimos apenas a dor que o outro se tornou agora:
saudade, esquecimento em passo lento...

não há processo certo que não "seguir adiante"
até que haja luz novamente.



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