quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

ela tem uma beleza do tempo:
rítmica.

a beleza está em como ela começa uma palavra
com mais força
em staccato, em legato...

há beleza de pausas:
como um desejo interrompendo o outro
interrompe de repente um parágrafo de sua vontade.

há beleza de inflexão teatral:
como um desassossego doma sua palavra
ou uma infância dentro dela a faz redundar pedidos
em tons progressivos de sua carência, de sua nostalgia...
até que se forme uma grande súplica irrecusável!

suas expressões se formam como ondas num mar tépido
- submerso, sinto as sensações se recolherem para o mar aberto
retraindo-se dentro dela
para onde me atrai a correnteza...
e depois começam a se desprender suas inquietações
tornam-se visíveis adquirindo signos

vejo esses desejos se erguerem em pequenas ondas
porém consecutivas, incansáveis, tenazes...
até quando arrebentam em nós o seu timbre de menina
se desmanchando em choro ou riso...
como a espuma que se faz na arrebentação
em que quase me afogo e engasgo
e depois flutuo

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