quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A ÚNICA MANEIRA

pois é, meu amor,
falamos a angústia do mundo que há dentro de nós
e temos a sensação - breve que seja! -
não de que a curamos,
mas de que toda ela cabe em palavras,
coube em nós ainda que apertada,
pontiaguda e áspera
e que - falando desvairadamente - a expelimos!

então que somos maiores que o mal que passa dentro de nós.
sinto que sinto coragem porque estou contigo,
porque você vem até aqui me ver,
e porque escrevo estas linhas pensando 
que tenho a linha na mão
e seu olhar é a pipa que faz dentro de mim esta infância
correndo por aqui, sobre estas letras...
faço versos como pavimentos para as sensações
para que a sua emoção avance fácil e me atinja
e me banhe e me lave e me reinicie vigoroso.

falamos com os corpos colados
e colocamos para fora as dores antes do gozo
no fim da noite - conectados até depois da saciedade e
exaustos do dia que se foi sem que nos déssemos conta -
gozamos no fim,
como quem sobre as dificuldades estabelece um playground

é assim que suportamos ter consciência e memória.
só assim podemos continuar.
somos um para o outro a única maneira de um mundo indiferente
nos dar colo.


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