terça-feira, 2 de janeiro de 2018

POESIA?

o que ela jamais saberá é o quanto de mundo morre em seus olhos
dessas ilusões que a gente prende no peito
e que foram nosso sustento
foram tudo!

quanto se desprendeu?
quanto já não mereço para o público
a que se anunciou nosso divórcio e a que se fez conveniente
acrescentando razões que façam justiça no que era minha perda?
pessoas que não apoiariam se soubessem a cru o que era esta derrota!


quantos não me fizeram culpado
no que foi um curso comum rumo ao fim?

entre amigos que ainda riem
e sobretudo no homem que goza dentro dela
e entre parentes rendidos que por então se conformam
o que ela jamais saberá:
é o que sou eu;
e o que em mim é perda.
exclusivamente minha,
somente minha!

e nestas letras
que ela impassível lê e atina - por sorte de absolvição - que são apenas versos mortos...
e somam ao inconveniente qual nas concretudes ando calando em abraçá-la como se o mundo fosse ainda controlável como quando éramos...
e como se tudo estivesse em curso dentro e fora de mim sem grandes perdas
nestas letras ela me despeja para fora!
ora! estas inconvenientes
despeja como inquilinas
negligentes...
para fora de seu juízo!

atina?
se atina...
se alivia imediatamente!
porque estas palavras são necessariamente
a grafia de não oralizar com os meus nos seus olhos
em timbre real (dolorido) o que é isto!

são elas o resultado de um comportamento de um homem para quem ela já não
precisa dizer "adeus"
aliás,
"adeus" não lhe cobrei:
caímos assim
como caixão que desce
no fim, num chão mais baixo, que depois se pise em cima, e  não se veja, que se esqueça!

e esta lápide inconveniente?
jogam se rosas por cima!
ritos são cumpridos,
se tanto!
mas não há conversa possível com que está morto,
com que é "que" e já não "quem"!

se ela lembrasse o nosso amor como o que em mim era:
aperfeiçoamento de tudo imaginado,
de todas paixões que tive, aperfeiçoado!
fonte de tantas poesias até depois do fim!
se ela soubesse nosso amor!
e também lembrasse o quanto fomos cúmplices...
poderia ser feliz agora ou acreditar num recomeço daquilo que - sabe - estará perdido?


ainda amá-la quer dizer:
torço que ela
cante com o coro de amigos
o que é esquecer-me!


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