sexta-feira, 16 de março de 2018

AMPUTADO



triste do fim, a moça que eu mais gostava me disse "você venceu!". menina, venci o quê? olhe meu semblante nesta claridade e diga se há um ar de vitória! estou cabisbaixo. perdemos nós! ora, você não sabe o que é cumplicidade? ir junto contra uma vida que vai sempre pro fim, protegermo-nos de um acaso indiferente, do frio que causa a solidão... 

que você sabia jogar, eu vi! mas e abraçar! sabe? beijar sabe? pois então deve saber que no abraço não há um que dê e outro que receba, não há como levar vantagem ou desvantagem... exceto se você dá seu corpo e de mente não está no abraço. eis um trágico acidente! mas o abraço só é abraço precisamente na reciprocidade da entrega de ambos, a mesma coisa se dá no beijo, no amor, no companheirismo. peguemos o amor... esta coisa abstrata! no amor não há puro objeto e nem puro sujeito... e diferente de um jogo, no amor é estupidez, é leitura grosseira, ver um adversário no outro... moça, se você quer saber, eu não via você como outro, mas como um meu pedaço bom. 

entendo que quem sempre enxerga "versus" não será capaz de entender cumplicidade. 

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