o jogo acabou
só resta replay
Iscas para almas. Realização do projeto de fazer propostas. Quase uma coisa no lugar de tentativas. Lembretes do desapercebido. Refinaria de gritos.
Talvez tenham encontrado algo engraçado naquilo que eu já nem via, ou que julgava morto, ou sequer nascido. Eu tenho um tempo largo em que as coisas se perdem muito facilmente, não há prateleiras no tempo. E fiz coisas tão pequenas que jamais conseguirei encontrá-las. O esquecimento é a única dádiva. Todos os olhos são do bicho! Pra alma deseje sono!
Quando uma vontade não atravessa uma racionalidade sábia e inteligente precisamos justificar sua ação; ou seja, tentamos lhe atribuir alguma sabedoria e inteligência posteriormente. Em suma, ou agimos por filosofia, ou por advocacia.
Achei uma brecha em mim!
Estou ligado em minha própria vida...
como qualquer um.
Mas achei uma brecha!
Como um condenado numa solitária,
uma brecha no claustro
por onde entra o pão da esperança.
Certo!, não é grande coisa!
Uma fenda apenas!
A visão mal atravessa...
E... Talvez o outro seja apenas uma hipnose,
que me acelera o peito,
O outro seja talvez fruto na copa de uma carência minha
Pareidolia de gente num vapor barato,
Digo, ilusão de ótica.
Turva em bordas o outro lado,
um excesso de moldura
para uma pequena nudez
chamada outro.
É o pouco que faz muita falta:
uma brecha no universo ego.
A luz no fim do túnel era o outro?!
Uma brecha,
uma rachadura na escura solidão.
É quase nada!
Mas ilumina!
E me vejo pouco, pequeno bicho...
Mas apareceu uma brecha e
achei um planeta em outra vida.
Achei uma brecha no ego
é só uma brecha, uma pequena coisa no meio do infinito que me acho.
Mas sei que sou pequeno,
E quem sabe agora me vejam.
Há uma brecha, e ela também é uma brecha
do outro lado.
Uma certa noção de tempo me causa a sensação de que cada coisa dita, respiração letrada, me enfraquece o bicho... Me desfaz um pouco. Me enruga a alma. Cada palavra é algo não conseguido, uma confissão de que agora não gozo. Uma flagrante impotência, uma insatisfação na folga... As palavras me escapam não como desabafo, antes como um desperdício. Verso, prosa, colóquio de conversa amigável, são embalagens que disfarçam pretensões vencidas e deflagram uma nossa incompetência de ser animal. Aah se ainda fosse aquela criança e seu cão entretidos com bolas de sabão, invés de lamúrias! Tem um aromático silêncio este outro ofício do ar, faz melhor proveito do oxigênio, pois então eu, co-autor em par com o vento de algum brilho. As bolas me levavam a vista prum passeio imprevisto, sem qualquer propósito esculpido por inquietudes. E o cão a estalar dentes inúteis, nós ali, herdeiros dos fins. Entre tantas bolhas soltas ao ritmo de uma mansa atmosfera, algumas que não decolavam da carcaça da caneta, natimortas, sopro perdido... Também ensinavam, tantas, a perda que há nas escolhas, em bolhas que fugiam da vista. E aquelas que sequestravam meus olhos para abandoná-los em pleno vôo, no que explodiam súbitas, tais como agora rebentam mudas lembranças transparentes... explodem estancando meus olhos num desfocado invisível, como não saiba explodir o verbo, tão atarefado e objetivo! Bolas de sabão me diziam, para o que eu não tinha ouvidos, naqueles voos singulares e na sua decomposição repentina e silenciosa - o que é não dizer e é dizer melhor - melhor sobre a vida do que podiam as palavras ...porque seja mesmo indizível viver. E agora isto, grafado em desacordo com respirar, tal asfixia.
a felicidade é isto mesmo. as pessoas dizem: "eu era feliz e não sabia!" pois sim, é esta inconsciência, a felicidade. aquelas horas não vistas... aquela brevidade do fim do dia... em oposto a duração de tudo que oprime. o que ganhei no natal de 1985 não poderia mais me despejar tamanha alegria. a alegria é uma determinada coisa sob determinados olhos. eu teria a coisa, mas nunca mais me agacharia com ela. olhos em ponteiros, hipnotizados pela ideia de ver a missão cumprida. as horas contadas na escola, no trabalho... as horas são caçadoras de alegrias. todo alarme é um sentimento abatido. o tempo que se sabe, que se ajuíza, se mede, se marca... o tempo do fim do recreio, a sineta terrível que ensina o homem a resignar-se, contorcer suas vontades para caber na caixa. uma vida regida por sinos... o melhor que somos é tão integral que não nos resta nenhum vigia na cabeça. nada de bom está fora de um pique-pega. se somos felizes, temos a vida breve dure ela o que durar. o tempo que mede o nada, não pode medir o prazer.