sábado, 25 de janeiro de 2025

 - Mas não conheci ninguém que ficasse... - lastimou.

- Condicionar sua alegria a que as coisas fiquem até... seu fim? Ou ao fim do seu desejo? Tê-las ao Bel prazer? Disponiveis e dispensáveis? Pois não! Você também não é eterno! É justo compromissar alguém com isto? É o adequado a se esperar da vida, em que se verifica tão fácil que tudo passa? As frutas têm estações para serem; depois apodrecem, caem, murcham... Dão-se a fomes alheias ou à indiferença de tudo... Ou, muito antes, não vingam as sementes! E há desertos! Enfim, tudo não passa de um ego que espera que as coisas sejam conforme precisa, e se fossem, ele se cansaria e as faria descartáveis.

- Você fala como se o desejo e alegria fossem frutos de uma conclusão racional, como se pudessem ser uma escolha intelectual, e eu me sentenciasse a como e com que serei feliz. Mas, como desejo e me sinto, se trata de algo inato, genético, cultural, necessário, químico, circunstancial e objeto de comparação. Por fim, posso compreender que haja injustiça em meu sofrimento ou felicidade, mas compreender uma injustiça não faz com que seu produto necessariamente se desfaça. Assim também possamos descobrir o que ocasionou uma morte, mas isto não a faz a vida novamente. "Saber" pode ser um contentamento em si, mas não é necessariamente uma ponte pra felicidade, muitas vezes, é contramão. Ou pior: a autodescoberta do ilhado. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

.Qual minha real natureza?

Sinto-me triste por conta de fatos 

ou recolho o pior pra explicar a tristeza?

Não há sem vida o que seja o dia!

O infinito mede do desgosto a alegria




segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

 _Vou pegar tudo que atravessa, colocar tudo num canto: no canto da casa, os objetos; no canto da voz, poemas:  um arquipélago desabitado no enorme mar do silêncio. Os versos são eleitos por angústias dissolvidas na ácida fome do belo. Sou um bicho em mim mesmo que precisa de dias em que não há nada a ser feito. Quem me dera "Quem me dera!" não fosse um desejo. Quem me dera! Será preciso desligar o mundo ou não regar alguns pensamentos? Já não suponho no que não sei algum encanto, porque saber é enxugar as coisas das asas que sonhos teriam, é trocar mil delírios por uma tediosa realidade.  Caríssimo! Vou pegar tudo que atravessa e vender: vou abrir uma portinha na esquina das hipóteses. Eu mesmo atravessarei mil caminhos até que a vida me liberte num canto.

Aquilo que sou não me vê passar

 _Tens um menino novinho, a que chamas filho... mas devemos dançar e sorrir!, porque o mundo vai acabar mesmo! Temos que sorrir, achar um jeito: nem procurar! O mundo vai acabar, tens um filho pequeno, por isso deves sorrir: Imagine a história inteira da humanidade: os bilhões de anos necessários para a vida sem um final feliz!

O que é ruim a gente acostuma que é bom a gente enjoa

 Não dá para achar um jeito porque o jeito é não procurar