sábado, 25 de janeiro de 2025

 - Mas não conheci ninguém que ficasse... - lastimou.

- Condicionar sua alegria a que as coisas fiquem até... seu fim? Ou ao fim do seu desejo? Tê-las ao Bel prazer? Disponiveis e dispensáveis? Pois não! Você também não é eterno! É justo compromissar alguém com isto? É o adequado a se esperar da vida, em que se verifica tão fácil que tudo passa? As frutas têm estações para serem; depois apodrecem, caem, murcham... Dão-se a fomes alheias ou à indiferença de tudo... Ou, muito antes, não vingam as sementes! E há desertos! Enfim, tudo não passa de um ego que espera que as coisas sejam conforme precisa, e se fossem, ele se cansaria e as faria descartáveis.

- Você fala como se o desejo e alegria fossem frutos de uma conclusão racional, como se pudessem ser uma escolha intelectual, e eu me sentenciasse a como e com que serei feliz. Mas, como desejo e me sinto, se trata de algo inato, genético, cultural, necessário, químico, circunstancial e objeto de comparação. Por fim, posso compreender que haja injustiça em meu sofrimento ou felicidade, mas compreender uma injustiça não faz com que seu produto necessariamente se desfaça. Assim também possamos descobrir o que ocasionou uma morte, mas isto não a faz a vida novamente. "Saber" pode ser um contentamento em si, mas não é necessariamente uma ponte pra felicidade, muitas vezes, é contramão. Ou pior: a autodescoberta do ilhado. 

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