_Vou pegar tudo que atravessa, colocar tudo num canto: no canto da casa, os objetos; no canto da voz, poemas: um arquipélago desabitado no enorme mar do silêncio. Os versos são eleitos por angústias dissolvidas na ácida fome do belo. Sou um bicho em mim mesmo que precisa de dias em que não há nada a ser feito. Quem me dera "Quem me dera!" não fosse um desejo. Quem me dera! Será preciso desligar o mundo ou não regar alguns pensamentos? Já não suponho no que não sei algum encanto, porque saber é enxugar as coisas das asas que sonhos teriam, é trocar mil delírios por uma tediosa realidade. Caríssimo! Vou pegar tudo que atravessa e vender: vou abrir uma portinha na esquina das hipóteses. Eu mesmo atravessarei mil caminhos até que a vida me liberte num canto.
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