quarta-feira, 27 de maio de 2026

O AFETO CONJUGAL POSSÍVEL

 Aprendemos o amor romântico: a esperar e a sentir em sua forma.

Depois que nos desfazemos deste formato, não há mais nada a aprender do amor conjugal. Precisamos nutrir por conveniências econômicas, concretas, afetivas o relacionamento possível à vida que nos resta. E então estranhamos nosso caso afetivo pelo contraste do que foi construído em nós por longo tempo - desde a ingênua infância - com o que é o possível na maturidade - Claro!, além de ficar só! Eis quando não há mais nada a aprender sobre amor, ele fora inventado (cultural e não natural). Agora só podemos ceder pra construir segurança e algum progresso com o outro. Em geral, o tesão declina ao longo do caminho,  mas o fato é que não há nada mais a aprender sobre "amor": o que fora inventado quebrou; o que resta é uma necessidade de chamar de "amor" aquela relação que parece vai durar por toda nossa vida - para o bem e para o mal. Isto porque temos vergonha de nos dar ou de nos flagramos entregues a algo que não tenha a grandiosa denominação: "amor". Conclusão: é que não precisamos tanto da nobreza quanto de enganarmo-nos quanto alguma nossa infâmia. Todavia, o alento: a infâmia é apenas uma sensação ocasionada pela queda do "sonho delirante do amor romântico" no chão do afeto-conjugal cotidiano possível - chamemo-lo como for preciso para nos sentirmos dignos!

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pire na pólis!

 

É só onde vivo que acho gosto e desgosto.
Agora... não estou certo se pontes acertaram em dar aqui!
A cidade tem beleza e feiura, mas...
...sem contraste não há cores.
Riqueza e miséria...
Há um rio limpo na minha crença,
envolve meus mergulhos...
Daqui, mirante, me alívio de lugares passados.
há almas afogadas em crendices como qualquer lugar do mundo...
Aqui, neste interior, sou maior do que já fui.
1 em 25 mil é 40 vezes melhor do que ser um em um milhão!
E ainda desconfio que a matemática não consegue calcular toda melhoria.
Hoje moro mais perto de mim.
Me acho e me perco aqui nos mais diferentes estados.
Demando diversidades...
...só dói onde permaneço mais do que preciso.
Seja a cama de um quarto escuro ou a areia de uma praia


sábado, 2 de maio de 2026

 


Os bilionários querem cada vez mais
porque a vida não tem sentido
Procuram no fundo do oceano e em naves espaciais...

Os miseráveis tem necessidades tais
que outra falta perde a vez.

A classe média tem camarim pra produzir-se assim indignada?
Sente pena...
...de si e dos demais!
O supérfluo lhes é necessário,
ambicionam a fartura ainda não usufruída...
guiando suas vidas por vias comerciais!

Só  aceitarão que não há sentido
quando não o encontrarem em todos os locais!
falta o fundo do oceano e em Marte a olhos nus... Nada os satisfaz!
Das pontes bungee jump, para-quedas...
Destacam-se veleiros de infindos cais...
Adrenalina, endorfina, cocaína... 
entorpecentes mais quando lhes falta a fé para que Deus faça esquecer que são mortais!

Passaria a vida a olhar por uma janela...
Se o sol não dispusesse nitida a inutilidade de tudo me abrangendo em tanto faz
Sou dos ansiosos que enganem pretender chegar a algum lugar com sua inquietude que é não saber desistir de escapar. Mas como é possível que eu me perca, se pra mim o mundo é cerca?

Diferentes, há mais sobreviventes:
que se devotam a conspirações, romantismos, mirabolâncias transcendentais...  Para não se afogarem na realidade, para não perderem o gás, inflam seus balões com ar bem-quente ou
se agarram em algum delírio que flutua na enchente.
É por miragens que apesar e sem precisar  a vida continua pra gente.