Aprendemos o amor romântico: a esperar e a sentir em sua forma.
Depois que nos desfazemos deste formato, não há mais nada a aprender do amor conjugal. Precisamos nutrir por conveniências econômicas, concretas, afetivas o relacionamento possível à vida que nos resta. E então estranhamos nosso caso afetivo pelo contraste do que foi construído em nós por longo tempo - desde a ingênua infância - com o que é o possível na maturidade - Claro!, além de ficar só! Eis quando não há mais nada a aprender sobre amor, ele fora inventado (cultural e não natural). Agora só podemos ceder pra construir segurança e algum progresso com o outro. Em geral, o tesão declina ao longo do caminho, mas o fato é que não há nada mais a aprender sobre "amor": o que fora inventado quebrou; o que resta é uma necessidade de chamar de "amor" aquela relação que parece vai durar por toda nossa vida - para o bem e para o mal. Isto porque temos vergonha de nos dar ou de nos flagramos entregues a algo que não tenha a grandiosa denominação: "amor". Conclusão: é que não precisamos tanto da nobreza quanto de enganarmo-nos quanto alguma nossa infâmia. Todavia, o alento: a infâmia é apenas uma sensação ocasionada pela queda do "sonho delirante do amor romântico" no chão do afeto-conjugal cotidiano possível - chamemo-lo como for preciso para nos sentirmos dignos!