Os 50 anos chegaram nele como o que arrepia. Mas ele não se arrepiava. Quem tivesse noção — de fora, como eu, seu amigo — se arrepiaria.
Sempre colhi uma semelhança em Fábio. Uma semelhança que acalentou minha adolescência — fase prepotente, entusiasmada porque ingênua.
Fiquei pensando nos efeitos colaterais dos pais dele. Tal qual os remédios.
Os pais de Fábio eram os pais que um adolescente gostaria de ter: você não estava sozinho para se sustentar, mas estava sozinho para ser o que quisesse de si mesmo.
Como chamar isso?
Quando jovem, eu dizia:
— Liberdade!
— Seus pais são maneiros!
Hoje eu diria que era uma espécie de construtivismo sem tijolo.