segunda-feira, 29 de junho de 2026

 Os 50 anos chegaram nele como o que arrepia. Mas ele não se arrepiava. Quem tivesse noção — de fora, como eu, seu amigo — se arrepiaria.

Sempre colhi uma semelhança em Fábio. Uma semelhança que acalentou minha adolescência — fase prepotente, entusiasmada porque ingênua.

Fiquei pensando nos efeitos colaterais dos pais dele. Tal qual os remédios.

Os pais de Fábio eram os pais que um adolescente gostaria de ter: você não estava sozinho para se sustentar, mas estava sozinho para ser o que quisesse de si mesmo.

Como chamar isso?

Quando jovem, eu dizia:

— Liberdade!

— Seus pais são maneiros!

Hoje eu diria que era uma espécie de construtivismo sem tijolo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário