segunda-feira, 8 de junho de 2026

 Eu não venho de mim.

E de onde vem o lugar de onde eu viria?
Que nome deram, até onde ele vai, quando que a gente sai daqui?
O que a vida encontrou aqui além da distância de lá?
Como as palavras me escapam!
O que seria fugir? Alguma dor que apressa?
As coisas não são sequer de si mesmas.
Não tenho a menor propriedade de dizer
Poesia também é lugar de se viver livre da civilidade.
Escrever também é ferramenta de suportar.
Que tempo me tem? Pra que fim?
Não te convenho, Tempo!
Pra que lugar iria?
Nós não podemos escapar das horas.
O que atrai traça uma reta entre pernas de ir
O que afasta é pai do deserto
E o que atrai ramifica
Ainda que se nomeiem e cincunscrevam municípios
Estamos sempre incompletos
Sujeitos-objetos
A línguagem acabou por nos mostrar mutilados


O tempo é um jeito de ir sem chegar. 

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