“amor” eu não sei
tenha engolido no choro
no soluço
e o amor não se evacua
não se pode algo cuspido
ficou aqui dentro prisioneiro
não sei
me roendo
de que se abstrai?
vi palavras em closes
bocas carnudas
mil tesões me escalaram
cálices que brindam
vi lençóis e filhos
lágrimas me fugiram
e me comovi de não achar o amor
e talvez fosse amor isto
nem sob nem sobre a cama
de todos os dias e noites
e todos os corpos úmidos oferecidos
lambi as angústias
tateei fios
cortantes
as literaturas
mas não achava
e sacrifícios e ouvi alardearem
“desnorteia e norteia as vidas”
“amor”, o que era?
enxuguei lagos de romantismo
e devo admitir torácico e estomacal
no vão que deixa a alma que me falta:
“amor” não sei
ocorreu-me inventá-lo
por amor?
ocorreu-me versá-lo
chegaram mesmo a concordar comigo
nessas tecnologias
amor
de que se abstrai?
uma vontade louca da existência do que se ausenta
nem do cume febril “amor” não sei
foi plenamente ignorante do que seja o amor
que menti e disse que amava e que sabia o que era
era vontade de tê-lo tão convicto
feito adolescente o ressoa firme
e trêmulo a que lhe acreditem
era necessidade de me achar generoso amando
me perdoem: eu não sei e não sabia
não peço desculpa de que tenha me esquecido
chamei de amor as frustrações maiores
ou os casos mais intensos que tive
ora! foram mais intensos os mais frustrantes
e fui assim os vestindo nobremente
“amor”
mas “amor” não sei
sou incompetente!
é que sempre precisei dizer que o sabia
para não passar de ridículo
e para que por amor não me odiassem
mas não sei
confesso desertor da farsa
sim! abracei minha mãe
fui de beijos e de pegar em mãos
e agora penso
vendo quão ignorante sou e me resta ser
que dissimulava
chorei meu pai morto
e tudo aquilo até parecesse "amor"
mas eu não sabia
feito um macaco faria
capaz que amei e não sei
e diferente do macaco que só amaria ou não
despreocupado
eu nunca saiba
porque não sou nisso de amor de sabedoria
sei que caravelas chegaram ao brasil
que existiram dinossauros
mas se amei foi sem saber o que fazia
sem poder pensar duas vezes antes
completamente ignorante
não é verdade
meus amores
é só necessidade de dizer
eu nem sei se sei ou se não sei
ou se acertei no amor esta flecha de entusiasmo e agonia
se acertei no amor tudo que sou e não sei
e em tudo que o neguei espero ter errado
Iscas para almas. Realização do projeto de fazer propostas. Quase uma coisa no lugar de tentativas. Lembretes do desapercebido. Refinaria de gritos.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
terça-feira, 11 de outubro de 2016
escrever é uma espécie de ordem, disposição que inveja um deus. aquilo que se saiba seja muito pouco! demoramos muito tempo para saber, subimos muito alto ou cavoucamos demais para o fundo. muita terra jogada fora, restara talvez uma pepita que nos chame a atenção. o saber fica ali, no cume de um monte de esquecimento. de todos nossos atos do dia, poucos são frutos da sabedoria. dançamos conforme os buracos. escrever é uma espécie de arranjar-se. de terapia. é um jeito de lidar com tanta sujeira ideal.demorei muito tempo, tive de subir monturos, para cravar a bandeira nisto. escrever é uma espécie de ordem, não para quem procura, mas para quem se encontra perdido.
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