sábado, 13 de fevereiro de 2021

ECONOMIA

 um vento 

 que adivinha chuva

ou  fogueira...

os cheiros associados ao que não volta mais...

são os melhores!



penso em ir num alto mirante,

voltar a ler livros,

e escrever,

gravar um álbum com minhas canções,

banhar-me amanhã,

no vão dos compromissos,

no rio que corta esta cidade...

todos esses pensamentos são pouco pretensiosos.

autossuficientes enquanto precária sensação... 

digo, basta que sejam pensamentos.

são pouquíssimos pretensiosos de serem escolhidos,

como quem corre canais de tv com enfado...



tenho apenas ficado em casa e feito o mínimo possível.

um verso no lugar da vida, do amigo, do amor, do outro...




sábado, 6 de fevereiro de 2021

PANELA NO FOGO

 pois a vida é isto mesmo:

vigiar o arroz;

criar um status;

esperar olhares...

esquecer do vital!

tenho feito planos e o que eles tem em comum 

é fugirem comigo!

esses planos todos pra amanhã

roubaram toda a importância de hoje.

uma vez no amanhã, 

tornei-me sujeito às promessas.


minha vida foi pra europa,

e nunca mais voltou aqui na cozinha.

mergulhou lá num mar azul

e nunca mais ergueu a cabeça

por sobre o balcão

pra  pedir uma paleta duas vezes moída...


esqueci de comprar um travesseiro.

que importa dormir ou ter o que abraçar?

este verso, que importa?

há olhos dispostos ao que não grita?

folga...? detesto! vou fazer o que comigo?

porca sem parafuso!

o café, o almoço, o jantar...

tudo isto é apenas recheio de um saco 

que precisa ficar de pé!


na vida de fabricar  há tanto a se fazer!

na de comprar, o meu prazer! 

viver é intransitivo!


tudo é um resultado.

quem não perde as contas 

vive no prejuízo.


https://www.instagram.com/tv/COp68MTHYtq/?utm_medium=copy_link


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Nem vendo

ainda que a foto exista

sobre o fato 

incide sempre o ponto de vista.



pois quando tem meus olhos 

seu retrato 

é a saudade o que há mais realista 


https://www.instagram.com/tv/COf4aJFnUbw/?utm_medium=copy_link



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

JEITO MORTO (CINZAS)

para Rubens Guilherme


herdamos este jeito morto

de encarnados pouco carnais.

já não sabiam balançar o corpo,

os nossos ancestrais.


e acreditamos em suas cadeiras 

que não se quebram. ó, imortais!

sentamos na esperança,

como tais, pela musa que dança

e não cansa jamais.


vício de livros de herança.

hábitos de homens sentados, 

pudor com o instante presente

que não nos levanta e nos cansa

de estarmos assim tão parados.


toda estrutura que falta

pra suportar nossa mente,

que a estante futura mais alta

nossa criatura sustente.

pois não podemos ficar quietos.

sem reclames, sem reparos. 

tudo queimando em alfabetos.

sujeitinhos muito raros!


e o que por bem reparamos do mal,

se somos salvos pelo final

em não haver certo ou errado? 

de ser, somos tão só cismados:

num irrevogável esforço 

de parecermos iguais

a trasanteontem:

cortando os pelos e unhas morais 

a nos sugerimos ideais,

nem me contem!

perdemos quantos carnavais?