segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

mais uma lápide

Se eu te escrevesse uma carta, te contaria essas trivialidades: seu filho está só numa casa, cercada por uma chuva... -  que há qualquer beleza nisso?! Mas eu não sei! Há qualquer coisa em mim que ache isso bonito! E antes de uma montanha, meus olhos atravessam um embaçado de neblina. Há qualquer coisa que espera, quando chove! Se não fosse inútil, ou se eu fosse um pouco mais maluco, escreveria uma carta, apesar de seu endereço ser a morte. Fico pensando, "a morte" propriamente - como todos a entendem - é o fim absoluto!, mas existem várias mortes mesmo! Isso já até virou clichê. Existem vários fins, vários "eus" que testemunho mortos. Fora os que eu esqueci! Os que eu já não sei mais ser, seja para atender um amigo... Um amigo que deixou de ser porque não sou mais aquele que era amigo dele... Meu pai está morto por completo, minha mãe... Estou em mais da metade do caminho... cada caco meu é uma lápide.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Digo a mim mesmo

 Não queira torcer o mundo para tirar uma conclusão!

 Também não convém forçar as palavras desse tanto 

Para que se encaixem

Sem aviso de "frágil!" 

Que papelão!

e caibam numa fila

sem hipérbatos subversivos!

e para que homens se perpetuem a e i o u 

Tanto esforço!

Enquanto perece a conversinha na boca da vila. 

 É um Deus nosso propósito?

Somos alterofilistas do peso da palavra?

Medo nosso que estás no céu

- um súdito de nosso ego!

Tudo que quero infringindo a poesia

é falar sobre mim pra dizer que digo tudo isso sem moral alguma.

É como receber um telegrama entre um e outro verso! 

É possível deixar as palavras mais soltas do que nossos pit cães que passeiam conosco dando o ar na praça. 

O ego maior que o medo

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Passado urgente!

 




Passado urgente! -
grita meu vão imaginário!
Ostenta em cartaz, o delinquente!
O impossível é necessário...
lunático! perturbado humanista!
Está tudo à beira do lixo!
Meu sonho jamais será terra à vista!

Há tempos que o que têm de melhor é o fim e o mal é o bem de quem não tem - me diz o terrorista.

A amizade não é mais conveniente
Somos usuários demais pra que não nos viole sermos conviventes!

Bem estar?!
Só preciso aceitar o que não posso salvar em mim, nos outros, no mundo!

O mundo, ah o mundo artigo de nostalgia: aquilo que se sofisticou pra algo atrás da vitrine.
O mundo é aquilo que um brechó teria!
É sempre aquilo onde outro vive,
vem lá de longe e do mistério que me prepara o câncer e a comida...
Um escondido que me deflagra ignorante
e em mim semeia desde ontem o fim da vida.
Estou sempre no cume, no observatório...
vítima do vício do ápice!
não dou nem mais um passo, como um preso voluntário que teme um máximo perdido!
Fico aqui no topo:Pra me distrair, aprender e não me ver.
Vivo de frente pro outro, com minhas janelas abertas!
No cume em que dor e alegria são de não ter corpo e não poder além de telespectador e expectativa.
o mundo que posso concretamente é anti-higiênico e me apequena.
Só me nota um indigente...
Eis onde cheguei caminhando em direção ao problema de querer solução;
foi até ver que minhas mãos não dariam
e deslizo impotente os dedos no vidro.
Como uma pobre menina o querendo vestido!
O mundo se tornou algo unidimensional.
Deixou de ser o quintal que colheria
uma fruta...
Me sobra tanto de tato, tudo de olfato e o desperdício da língua!
Oh! primeira namorada que moraria na velha esquina...
Não adianta haver ouvidos!
Que esdrúxulo ter vizinhos!
Pobre geração que não aprendeu a dar valor além de preço!
Que valor terá sua vida?
Por certo, pagarão caro!
O abjeto sujeito através do objeto de vidro
Está da realidade anos luz protegido.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

 não pago para ter, mas pra não ver publicidade

(quem gosta?)
um coach a vender
à estupidez prosperidade
um influencer sugere aposta
janela de frente prum mar de app
a prometer facilidade
o mundo às costas
de frente a tela
fecho a janela da realidade
que hardware é essa tal verdade
que novas vontades já não suporta
e ao amor não dá resposta?
pra não dar oportunidade
fecho a porta, ninguém por perto!
e a claridade só nos desgosta
a realidade é só uma fase
de um jogo nazi no mundo aberto
captura na rede o social
em que viver não é preciso
mas navegar é fundamental.
sai do offline e posta!
Içar velas ao virtual!
- eis a proposta!
o ponto com é o ponto final
e na moral do stories
a vida é uma bosta
quando não pode ser suposta