segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

mais uma lápide

Se eu te escrevesse uma carta, te contaria essas trivialidades: seu filho está só numa casa, cercada por uma chuva... -  que há qualquer beleza nisso?! Mas eu não sei! Há qualquer coisa em mim que ache isso bonito! E antes de uma montanha, meus olhos atravessam um embaçado de neblina. Há qualquer coisa que espera, quando chove! Se não fosse inútil, ou se eu fosse um pouco mais maluco, escreveria uma carta, apesar de seu endereço ser a morte. Fico pensando, "a morte" propriamente - como todos a entendem - é o fim absoluto!, mas existem várias mortes mesmo! Isso já até virou clichê. Existem vários fins, vários "eus" que testemunho mortos. Fora os que eu esqueci! Os que eu já não sei mais ser, seja para atender um amigo... Um amigo que deixou de ser porque não sou mais aquele que era amigo dele... Meu pai está morto por completo, minha mãe... Estou em mais da metade do caminho... cada caco meu é uma lápide.

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