Iscas para almas. Realização do projeto de fazer propostas. Quase uma coisa no lugar de tentativas. Lembretes do desapercebido. Refinaria de gritos.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
A enorme maioria se acostumou a promessas, contratos, apregoações de verdades, justificativas, soluções, explicações, sentenças peremptórias entre certo e errado.... então se perde em matéria de versos, palavras-sensação. Pois a tudo lido tem por vício evocar o compromisso. Isto me soa como quem pedisse a um pássaro que ao longe voa que entrasse em sua gaiola e cantasse sua biografia.
Aquilo que escrevo em certa maneira superei. Ainda que uma grande dor, estive de fora, ao longe, pude vislumbrá-la a partir de anos de vida! Posso escrever sobre uma sensação entendida como de morte ou mesmo sobre um desejo de morte. Não percebes que isto não é propriamente um suicídio?
Não quer dizer que tenha um compromisso com esta sensação por um prazo determinado, não quer dizer que quando lês eu ainda sinto. Escrever algo e sobre algo não é fixar-me no algo ou revelar uma verdade descoberta, mas tentar transmitir uma visão e a sensação de um dado momento, que é particular de um cume ou de uma depressão do caminho vida.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
meu outro homem chega de noite e bêbado. e gosta de picardias. de insultos, de mortos e de copos mais, cheios de que não pergunta e os vira com sede. acende velas de deboche com minhas crenças, flagrando fragilidades minhas na penumbra. meu outro homem chega de noite e cospe no verso que é minha cara. meu outro homem enrijece o membro na minha frente e o entrega em minha mão, e nossa boca seca em uníssono. faz do meu gozo sua marionete. com vasos dilatados, com fome sincera, olha meus olhos e não teme. ele só é capaz. e de manhã não deixa pegadas, a porta só, esquecida aberta. pegadas não senão as minhas. meu outro homem é lindo e horrível por pura indecência. se banha lá fora nu no meu quintal, e a lua nos deixa numa silhueta, nos torna um só. meu outro homem é voraz... e eu fico estirado no sofá satisfeito e parece que eu sempre lhe devo em verdade.
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