quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

NO MEIO

do rosto
dois olhos de crença

da estrada
o polegar raquítico

da pança
a criança entre vermes

das pernas
a única saída

domingo, 26 de janeiro de 2020


Na copa do engano


Ao notar o teor enfadonho dos  caros anúncios das mais diversas áreas, vejo que o "sucesso" muito pouco ou nada provém de aptidão na respectiva atividade, mas de sua promessa de simplicidade, economia  e rapidez; ou seja, do seu charlatanismo. Seja o assunto religião, filosofia, política, relações afetivas ou finanças... na próxima propaganda, na mídia disponível, reverberando na fala de um amigo, assim que abrimos os olhos, na esquina ou clique, a promessa de sucesso fácil nos será lançada como uma rede de pesca. Concluo: o homem é um símio que, sem habilidade para viver de uma a outra copa de árvore evitando os perigos do chão, pula de um para um novo engano por medo de pisar tão dura realidade. Por que somos tão predispostos ao engano? Ora, olhe o passado! A sinceridade na relação entre homens sempre estalou um chicote. Não teria se tornado atávico: "É melhor acreditarmos!"?