terça-feira, 28 de abril de 2026

Incumbência


não fomos
havia um projeto impreciso
uma teoria
um lugar em que chegar
promulgado por todos
homologado pelos pais
almejamos qualquer coisa num menu apresentado
depois nos enfadou o possível

e agora sentimos falta como se tivéssemos conseguido
não fomos nada
não sabemos o que fomos
o tempo passou
não há tempo suficiente a frente
para irmos a lugar algum
sentimos falta da crença que nos entusiasmava
o tempo passou por nós apenas natural como um vento
para que não tinha velas em nossa ambição
e os remos caíram no mar
e os músculos não de todo cansados
deflagram a ausência de motivos
o fim é quase palpável e condescendemos com a mesma cabeça
que percebeu o tempo indiferente que desabrochou
a flor
jogou suas pétalas no chão
e nos incumbiu
saber o florescer e a extinção
de tudo

quinta-feira, 16 de abril de 2026

 Com "o que será?" não quero gastar minha cabeça.

Sou mais de me virar com que acontece do que de me virar pra que aconteça.

Mas uma coisa, outra não anula
Isto de isto ou aquilo
É coisa de quem não regula
A vida é  aquilo com isto
de cada seu "quanto"
no lombo da mula

quinta-feira, 19 de março de 2026

TEATRO SEM ATOR

Esse teatro em e de que vivemos,

Títeres do acaso sem mãos,

A ejacular nosso propósito.

Pobres bestas que se olham no espelho

e enxergam algo mais.

Falta refletirem no mundo além de na lâmina para que se saibam.

Que se vejam apenas imagem é só uma sugestão para seus delírios de grandeza.

Os loucos fogem do inferno de entender o mundo

pro inferno de não serem entendidos.

Os que não são loucos plenamente se infantilizam com Deus ou qualquer outro entorpecente.

É preciso agradar, temos medo e não poder...

É um preciso agradar pra sobreviver. 

E neste fazer não importa o que é real ou falsidade. 

Quem não pode ser temido, precisa 

ser amado.




quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

 Amamos a chuva? Não inteiramente,

não a caminho do trabalho, mas sim que ela exista e aconteça... Usar guarda-chuvas não contradiz, separa no que amo o que ao momento convém. Amo inteligentemente o que se adequada. Ou amar seria se submeter! Porque o amado não obsta os demais afetos e fazeres necessários à vida... Ao contrário, amar se conjuga!
Aprendemos o amor como uma tirania? Digo que amo a chuva. Ora, o que estou consideranso é que sem ela não vivo!, não haveria frutos, flores... E um amor não se veda fechando a janela. Olha, não que ame finalmente frutos ou flores,
meu amor não é exclusivo e uno em forma e coisa. Amo o caminho, amar não pode ser o fim! 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

INTROSPECTIVO

Mas não sei onde estacionei o carro porque também vim aqui outros ontens

e na verdade confundi os dias

e não sabia onde estava o hoje

Isso me faça um pouco mais débil!

Penso que seria comum o contrário: 

Digo, me aceitariam melhor em confundir o local...

mas em embaralhar os tempos?

Acontece também, se me pedem uma informação na rua, de eu lembrar da placa de um estabelecimento... Sua logo, sua cor... 

mas não sei em que rua conjugá-la em minha cabeça...

Não consigo devolvê-la ao bairro em que ela piscava luminosa!

Outras vezes, perco um utensílio não porque esqueci onde coloquei...

Mas porque eu estava em algum verso

e o soltei em alguma emoção que me tomou.

que coisa estranha encontrá-la - óculos! - sobre uma prateleira na sala!

Capaz que estou levando uma encomenda a um dado endereço agora

todavia, ela é que vai me entregar pra uma saudade,

completamente perdido...

O destinatário deve estar 

bravo comigo!