domingo, 23 de julho de 2017

um homem assim é adorável: não dizia nada se não achava que merecia a pergunta! - mastigava um miolo de pão, virava o rosto contra o sol, contra o vento, espirrava... queria uma companhia que inventava numa e noutra companhia qualquer. era preciso inventar. acreditar. embora tudo que fosse preciso lhe parecesse tão mesquinho justamente por ser necessitado.

disse que ele nos fez e o culpa. mas que há nele de maior do que nós para que possa ter nos feito? e o que há de tão ruim em nós que sequer nos fizemos?

exigências

é preciso primeiro falar esta língua...
ter lido alguns livros.
ter nascido no brasil na década de setenta.
de preferência em minha cidade suja -
onde os ônibus, muitos, passavam como na passarela do asfalto
desfilando a lama dos nossos esconderijos
e no letreiro frontal o número e o nome do bairro
"cala a boca" era o seu destino

é preciso ter muita consciência da pequenez da consciência
e de si também. além de
poder sentir -se grande.

é preciso sentir vergonha de ser apenas torcida.
de ter apenas gritado ou hasteado e tremulado bandeiras.
é preciso sentir certo desprezo pela beleza óbvia.

mas o que estou falando? ou... melhor!, por que estou escrevendo?
o caso é que seria preciso ser eu para entender sobre isto.
e ser eu é extremamente desnecessário até para mim mesmo!

se fosse eu o que é outro, não seria preciso entendimento e muito menos abraço.
mas é imprescindível hesitar
para chegar perto de mim.

terça-feira, 11 de julho de 2017

o mundo não está pra meia dúzia

como explicar pra gente que mudei meu conceito de gente. gente que eu não sei por onde pega as coisas ditas. gente se entendendo sujeito. e depois grandiosos e sabe-se lá mais o que. há quem mate fácil dessas alturas. como explicar pra gente que agora sinto outro cheiro. aliás, pra que explicar? gastar um tempo com versos, deixar-se estar nos pequenos delírios, não desrotular "viajar" de "vida". não "desetiquetar" escrever do "agora".

quarta-feira, 5 de julho de 2017

quando a gente tem estabilidade, ou ao menos acredita nela, quando a gente não precisa mais de grana, acabou o jogo! somos como gatos ou cães numa sala de estar. estes homens, ainda que ricos, estão sempre correndo atrás de mais grana, até que lhes atravesse um câncer, um ataque cardíaco motivo de coisa qualquer suficiente para encaixotá-los. no entanto, se lhes acabasse a ganância monetária - riqueza. status e moral à venda - eles seriam como bichos: quereriam água, cota de sexo, sua cota de alimento, sua cota de sol e de espaço... viveriam lentos como os gatos, dentro dos instantes. e os relógios tilintariam um barulho vindo do mundo vazio em que só os loucos vivem.



sábado, 1 de julho de 2017

NOS PRIMÓRDIOS



 a escola era um lugar em que aprendíamos que não sabíamos e por isso devíamos nos submeter.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

quaisquer pessoas... estou dizendo, faço turismo de gente nos mundos, nos lugares...
nada mais me interessa...
pode não ser muito, mas não há nada mais!

só as pessoas, suas tosses, suas depressões, suas pequenas agonias secretas escapando por entre as venezianas, para a rua. para o colo libidinoso dos homens.

um lugar fica mais vivo quando pessoas são a sua referência.

domingo, 14 de maio de 2017

CONTRADITADO 1

- Todo mundo vai morrer, somos iguais!


- Como? A morte nos torna iguais e a vida faz o mesmo? Por que pretendes que o que a morte qualifica valha pra vida? Nossa diferença começa no olhar e talvez não termine nem mesmo quando terminarmos!

O que as pessoas querem crer, o que elas precisam crer é muito mais imutável que a própria realidade.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

- nossa relação não está indo pra frente....

- qual o problema? é ruim o presente?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

depois que muito pensei, descobri que era pouco. depois que muito pensei, comecei a ter amigos, independentemente do que eles pensavam, e se eles pensavam, e o quanto pensavam. depois que senti, pensar era pouco.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

DE NÃO VÊ-LA

de quase não vê-la e de resto você estar sempre indo embora
estou confeccionando um pijama
em preto e
branco

domingo, 9 de abril de 2017

o que eu sinto é que há um grandíssimo equívoco em acharmos que o melhor a partilharmos é a verdade. tampouco a mentira. mas a arte de fazer sentir, de se deixar sentir... devo toda alegria de minha vida a uma certa sintonia de ilusão que soube montar os cenários, os personagens que são nossas mãos de tocar, de sentir... saber entregar ao nosso corpo as sensações boas. a mania de verdade tem nos roubado isso. é a mania de verdade que divide o mundo, fazendo de todo o resto do mundo uma mentira... há um grande equívoco na verdade como playground... a verdade é apenas um galpão industrial! ela não serve para amar, para gozar, para viver bem! para isto é preciso sonhar, não com o futuro, mas com o presente. sonhar não como quem projeta, mas como quem chega, estar dentro de um sonho, se deixar seduzir por um anjo bom que sussurra deliciosas fantasias em nossos ouvidos! não como quem se ilude, mas como quem enfeita o em torno e a si mesmo talvez! é isto, poder ver tudo de outra maneira, além do que nos queira impor uma verdade monomaníaca.

pensar em morrer é como que consequência de querer pensar no que é certo!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pensar é tão cego que tantas vezes não consegue discernir "querer" de poder. Até o pobre "querer" vira "poder" no pensamento.

QUERER E PENSAR.

Não posso pensar o que eu quiser. Não podes pensar o que quiseres. Tampouco podemos querer o que pensamos. A relação entre essas coisas é orgânica. E o organismo é diferente do que aquele que enxergamos bio, etno, psico, sociologicamente... O organismo é circunstancial. Querer é apenas um dos fatores que fazem avaliar. E avaliar afetuosamente. Pensar é apenas uma sombra do que se passa, a silhueta disforme da nossa compreensão projetada atrás de nossos olhos. Quem sabe se a pudéssemos ver, do pensar, a torta imagem, não teríamos por isto tanta vaidade.  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ó, CAPITÃO, MEU CAPITÃO!

não acredito em liberdade senão como a sensação de obediência confortável. obedecer ao que se quer, obedecer com alegria. o trabalhador, por exemplo, se acha independente, porque tem seu próprio ganha pão. mas ele sabe, no fundo, que obedece, por depender do patrão. de algo sempre se depende, não há que se envergonhar, amigo! exceto se você se envergonha. dependemos, a começar pelo ar, pelo mar, pelo chão... ao experimentarmos bastante é que vamos descobrindo como, onde e o que ou quem obedecemos com mais alegria, com orgulho. atingi um grau desta sensação de liberdade satisfatório, em crescimento, de modo que não me apetece ter outros patrões ou voltar a tê-los. descobri o prazer do meu peso sobre os pés. sinto conforto em obedecer ao que obedeço, gosto de pagar o meu preço! a ponto de dizer que pereceria por quem ou pelo que me comanda. muito do meu comandante está em mim e já não posso me subordinar a outro. vou construindo meu lugar onde mais me agrada obedecer, não posso voltar ao que foi experimento para que eu chegasse a este agora.
ajudo e aceito ajuda. mas  a "solidariedade" tem seu ponto conveniente: "não quero me tornar e nem ser dependente de outros braços e pernas". - afirma assim um meu orgulho a que me faço obediente. não dou para receber, dou quando e o que posso e ponto! se precisam e posso, dou. também procuro dar quando, onde e para quem faz melhor proveito. dou e não costumo perguntar "para quê?" não dou o que me faltará, ainda que me amargue dizer o "não", por isso evito os carentes demais. vivo simplesmente, por isso devo saber dizer o "não" que evitará que me falte, porque também não quero pedir neste mundo cristão, em que sei que só dão para receber.
quem sonha demais denuncia seu desgosto com a realidade presente, inaptidão com a vida concreta das ruas, das mãos, dos pés, do pão, do chão, da pá... leão não sonha com manadas, corre atrás. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

SENHORES, MACHADO DE ASSIS

 Não se demonstra uma cocada, come-se. Comê-la é defini-la.  - Machado de Assis

 Não há nada mais tenaz que um bom ódio.  - Machado de Assis

 O vício é muitas vezes o estrume da virtude.  - Machado de Assis

 Dormir é um modo interino de morrer.  - Machado de Assis

 Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.  - Machado de Assis

 Felizes os cães, que pelo faro descobrem os amigos.  - Machado de Assis

SENHORES, WALTER SAVAGE LANDOR

 Não devemos ceder a visões desfavoráveis da humanidade, pois fazendo isso, fazemos os homens maus acreditarem que eles não são piores que os outros, e ensinamos aos bons que eles são bons em vão.  - Walter Savage Landor

SENHORES, GIACOMO LEOPARDI!

Não existe maior indício de ser pouco filósofo e pouco sábio do que desejar uma vida inteira de sabedoria e filosofia.
Giacomo Leopardi
É curioso observar que quase todos os homens que valem muito têm maneiras simples, e que quase sempre as maneiras simples são vistas como indício de pouco valor.
Giacomo Leopardi
Nenhuma opinião, verdadeira ou falsa, mas contrária à opinião dominante e geral, estabeleceu-se no mundo instantaneamente e com base numa demonstração lúcida e palpável, mas à força de repetições e, portanto, de hábito.
Giacomo Leopardi
As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo.
Giacomo Leopardi
O mais sólido prazer desta vida é o prazer vão das ilusões.
Giacomo Leopardi

com que roupa?

Cada roupa encontra em nós uma adequação. Veste bem até mesmo a ambição, agora tenho a minha nos pés como um chinelo. Já a humildade predomina em minhas camisas. Na cabeça sempre um chapéu de pretensão. Para enfeitar as mãos uso metais diversos, feitos com matérias de amizade, de amor, arte e ação... Uso pouco calças, mas minhas bermudas normalmente dão conta de minha circunspecção, civilidade e privação. Considero-me mais simpático quando estou só de calção.