quinta-feira, 16 de novembro de 2017

somos um bolinho de carne recheado com orgulho. muito bem recheado!

a pior coisa que um homem tem de aprender é a ideia de "justiça" (que é só ideia-esperança), faz mal à sua alma, à sua vida até que ela acabe.

CLARO!

temos ódio, arranjamos razão para este ódio. amor também, arranjamos razão. explicações! culpamos, enobrecemos. somos morais, católicos... e geo, etno e egocêntricos! inevitavelmente tudo isto somos! é hora talvez de não fazer muito estardalhaço sobre estas coisas mais. por que não nos cansamos - já que lastimamos sobre essas coisas tão longínquas - do que está dentro da gente, o tempo inteiro com a gente, sobretudo se somos maduros e não adolescentes recém descobrindo um mundo racional que se indigna? em suma: por que não nos cansamos da nossa própria ladainha? precisamos de coisas, crenças, ameaças, inimigos... ainda que toda origem dessas coisas se baseie no erro de nossa razão! e pra quem usa razão, o erro é tão claro! é preciso, senão enobrecer, ao menos não transformar em infâmia o que inevitavelmente temos de ser ou a que inevitavelmente, se assim sentimos, estamos amarrados!

sábado, 4 de novembro de 2017

"LUZ! LUZ! MAIS LUZ!"

quando uma pessoa acaba  na gente,
dói porque não é súbito apagar-se,
acaba gradativamente

primeiro vai perdendo a forma na distância necessária 
o traço que a distinguia de todo resto do mundo
se torna impreciso
as mãos trêmulas de nosso pensamento 
já não desenham o outro em forma convincente
como quando nos beijávamos de olhos fechados e sabíamos 
um corpo em nossas mãos, à nossa frente.


a massa que media em quilos sobre nós
torna-se imensurável tristeza por dentro,
como se ela finalmente nos penetrasse 
na forma áspera e enorme do que é perda.

se olhamos o retrato, por exemplo,
sentimos apenas a dor que o outro se tornou agora:
saudade, esquecimento em passo lento...

não há processo certo que não "seguir adiante"
até que haja luz novamente.



SEM ESTRATÉGIA

Não há planos, não há buscas... Há o que me faz erguer a cabeça nas passadas para o infinito e há o que me faça gostar do caminho, há quem me distraia do fim, há em quem acabei e há quem acabou em mim.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

CORTE E COSTURA

você tem um suspiro de alegria
no final de minhas frases
que a denuncia


acho que sou a piada inesperada
que a vida fez pra você rir
como se a encontrasse na página de um livro 
de corte e costura

terça-feira, 31 de outubro de 2017

NOS PÉS

ela me traz os versos nos pés descalços
embaixo dos passos
: sinuosas linhas transparentes

é uma espécie de embriaguez
tentá-la, segui-la...
a minha embriaguez querendo virar a dela

é uma espécie de acesso
elétrico
ao entusiasmo

é preciso ser monstruosamente forte
pra não ter expectativas


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O coração e a pilha.

Não brigamos porque fazemos um cálculo racional do qual provém a conclusão de que devemos brigar. Brigamos pela emoção de um momento, que chamaremos "exaltado". Depois tentamos achar razões lógicas e morais que justifiquem termos brigado: razões que atribuam nobreza à nossa violência ou/e culpa (merecimento) no ofendido. Já não me defendo, sou antes um animal do que uma calculadora. Esta é a diferença maior entre o que usa o "coração" e o que usa "pilha". Um vive, outro funciona.

sábado, 7 de outubro de 2017

o gozo dela

 pronto. goze! goze, amor! goze. te dou a paz de me negar
goze. fique zen. mais que seu budismo lhe deu. goze. eu lhe peço, você me nega. 
finalmente. 
"eu a fodi. você me deu" - diz a moral e a civilização, diz o paternalismo.
goze em cima disso. vai!
goze ouvindo-se dizer "não!"

terça-feira, 26 de setembro de 2017

a vida não

um dia algum impulso me tomou
e recolhi da sala meu retrato

impulso ainda insatisfeito
tirei algumas poesias do ar
cliquei “del” sobre nomes no celular
apaguei um blog...
e deixei fugirem da possibilidade algumas moças

não por elas
mas prevendo sempre o tolo que eu seria


e foi assim
para não ser tolo me retirei da cômoda da sala
do telefone
do computador

e já não havia como apagar
o que apagado havia

nós somos delicados
a vida não

sábado, 16 de setembro de 2017

a pérola

que caminhos insólitos até a cama. a louca... eu fui descobrindo aos poucos sua loucura. muitos indícios desculpei na "infância", no ambiente que tantas insanidades ensejavam: aquele novo mundo em que ninguém arriscava mais que um pedaço da alma, se tanto! 

desculpava-lhe os primeiros indícios também no desentendimento das falas remotas, picotadas no canal estreito das tecnologias em aprimoramento. eram também falas sobrepostas umas as outras em rodas de conversa. desculpava nas drogas também e, depois, quando soube a vida traumática, antes de suspeitar que mentia, considerei que era outra razão atenuante... 

mas o que sabia meu corpo inteiro, contra qualquer razão, é que era preciso continuar com ela. o racional se virasse pra entender a loucura da moça da maneira que fosse possível! porque o desejo imperava. o que ele queria era a imagem daquele corpo, aquela entrega da voz sulista da moça, equalizada pelo tesão do momento, das vaidades, de uma abstinência ocasionada por horas inoportunas ao sexo! a voz gaúcha da moça, a voz litorânea, a voz fazendo o verão possível em plena primavera.
equalizada pelo bem e o mal que há dentro de todos nós, símios morais. a voz entregue... batendo contra meu peito, como o abraço de onda gelada do mar num corpo quente da longa caminhada... a voz entrava e espalhava uma espuma de prazer dentro de mim antes que ela saísse de casa para fazer as unhas. 

as unhas... mais concretas que tudo de delicioso degustado ainda há pouco. o atraso na manicure por conta daquele deleite sem juízo. em breve as unhas vestiriam de cores vivas aqueles dedos de se dar carinho.

que importava a loucura da moça me ter quase levado à definitiva desconexão? não era melhor ser louco com ela do que sóbrio com todo o resto do mundo? o que são e dizem os sãos não nos entedia?  assim, a imprevisibilidade da louca me seduzia: não ter razão com tanta meiguice e tanta distração na fala que se emprega apenas em ser doce.

então... ela me deixava, ela chorava convulsamente e depois nada mais dizia até que sumisse de vez: primeiro a imagem do corpo de mulher se teletransportando para longe de mim, depois era conferir o nome fosco no canto da tela, apagando com ele a esperança que acendera aquele dia. anoiteci por dentro, até que voltasse o dia seguinte a me enviar corações. e eu nunca havia escrito tantos parágrafos para alguém daquele mundo. 

ela voltava como se nada tivesse acontecido, então, nós, que nos jogáramos fora na noite anterior, nos retirávamos do lixo na manhã seguinte. ela se entregava, dizia que era minha. daí pouco importava a promessa de futuro ou não. eu queria fodê-la. eu queria me vingar dela dentro dela? parecia! ela gemia! um juízo me tolhia de anunciar na casa a minha febre, eu tentava gemer em surdina, dominá-la em surdina.

aah a minha louquinha! a minha loucura que ela trazia à tona de mãos dadas com seus hiatos discursivos! que ela tivesse atitudes inesperadas, e eu nisto também embarcasse, que importava? fora disso havia todo um mundo comum, toda uma conduta decente que já me havia saturado, me abandonado também... me julgado sobretudo! demorei a descobrir a loucura da louca, e soube rápido quando afirmei para mim mesmo - "é louca!" - que isto não impedia nosso relacionamento. que talvez isto até viabilizasse o novo. que talvez a louquinha merecesse mais do que tudo o que eu era e vice-versa. embora eu soubesse que nem tudo na loucura que viria, já nossa, seria saúde!

 com aquela voz ela tinha direito, com aquela infância que me resgatava, a louca merecia tudo. com aquele pouco caso que tinha com a verdade, que precisou ter depois do que a verdade fizera com ela! 

é claro que, apesar de louco, eu tinha os miolos de calcular no lugar, e eu via a hipótese do fim trágico. mas o que não é trágico no fim de todos, loucos e normais?
somente o cômico escape... e com a louca eu tinha mais chance de terminar com comicidade. só a loucura para nos persuadir ao inútil que é viver.mas não era por calculo, não se iludam, amigos... não era por calculo, desses que se põe do outro lado de um balcão, que eu continuava com ela. era por vida (de parágrafos excelentes)! 

terça-feira, 12 de setembro de 2017




Tenho repetido o show de “quem eu sou” ou “quero ser” por muito tempo. O meu desencanto crescente com os discursos (inclusive os meus) e também com as palavras me transforma gradativamente num degustador de timbres. Isto! Sinto-me inclinado a ignorar os teores e degustar, em vez de entender; em suma, em vez do que dizem, as suas vozes é o que me interessa. Sinto-me inclinado a não pensar, mas a farejar, a tocar, a sentir... É como se a racionalidade fosse em mim, no meu país, na minha classe social, uma máquina obsoleta. Se me injetam argumentos, opiniões, tenho desejo de que parem, de que falem em outra língua, de que nenhum significado me toque, que apenas a entonação me chegue, como uma canção de ninar, como um frevo, uma salsa, uma valsa, um samba, um mambo... Se a essência do homem é “animal racional”... Sou mais animal. Sou incapaz de acreditar, logo, também de sonhar de olhos abertos. Não sou a favor de nada! De que serve meu favor ou meu apoio? É apenas ilusão de dever cumprido, mas eu sou incapaz desta ilusão. Não há orgulho nesta incapacidade.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

PARA DEUS


chega do frio conforme o cobertor! acaso o cobertor veio antes do frio do senhor?
não sabes dar calor?
essas coisas todas
essas coisas tolas
suspiro por elas...
e este país!

ESTA LÍNGUA VITALÍCIA

nós fomos apenas mais um
perdido no meio disto tudo
insuflado pelo próprio ego


perdidos no meio desta língua
como num oceano
só a cabeça fora d'água

perdidos no meio desta língua
vitalícia


O "Idioma da Carne" é um livro com febre!

CABE!

num quarto até bastante comum
nem mesmo um abajur havia
eu vi o amor caber
numa noite...

bastou a desconfiança se cansar...
deixar os corpos deitarem...
shiu! não pense, não julgue... entregue-se!

dois corpos se deixarem.
epidermes coladas, a sensação de peso do outro...
a sensação outro-eu
físicos estáticos!

ali!
onde ninguém jamais suspeitaria...
eu vi o amor com a mesma clareza que via a coberta marrom dobrada sob nós...
numa noite,
simples e magnífica

as palavras de mãos dadas se atirando no silêncio, nos gemidos...
as caladas palavras gemidas....
os corpos deixados como peças de roupa de um deus calorento

deus santo! eu vi o amor ali...
a luz acesa, claro... nela
num quarto, num turno...
"cabe!" - espanto.

num tempo vitalício se dissolvesse
mas ali cabia, intenso... química!
como um comprimido:
pequeno, engolível...
e cheio da cura
de termos vivido sem ele!


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Diante o espelho
“Não posso ser só isto mesmo!”
Quanto mais envelheço
mais forte digo isto.

Sobre meus pés
“Serei somente este peso?”

Mas dentro desses sentidos poucos
Dentro desta atenção ao mínimo

Sou todo o coração de um mundo que vive!
Perdeu a casa e aprendeu a morar em si mesmo

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

E pode ser que usufruir seja só um estágio do desejo de conhecer; e conhecer, um estágio em dominar para usufruir ao bel-prazer.

POR QUE O ABANDONEI?

Quando o desejo de conhecer se torna maior que o de usufruir de algo, precisamos abandoná-lo após termos olhado este algo por todos os ângulos possíveis. Se possível, até por dentro. Abandonar é sempre o último ângulo que abordo algo-outro. O último passo do conhecimento é saber o que é o algo-outro pela falta ou não que faça em mim. No mais, não adianta recusar o abandono, a morte o fará. 

A falta é uma inventora, não uma investigadora.

terça-feira, 25 de julho de 2017

eu de ainda há pouco

entre as pessoas que mais odeio
está eu-de-ainda-há-pouco

você acredita, menina,
que eu-de-ainda-há-pouco
falou mal de mim pelas minhas costas
de agora?


domingo, 23 de julho de 2017

um homem assim é adorável: não dizia nada se não achava que merecia a pergunta! - mastigava um miolo de pão, virava o rosto contra o sol, contra o vento, espirrava... queria uma companhia que inventava numa e noutra companhia qualquer. era preciso inventar. acreditar. embora tudo que fosse preciso lhe parecesse tão mesquinho justamente por ser necessitado.

disse que ele nos fez e o culpa. mas que há nele de maior do que nós para que possa ter nos feito? e o que há de tão ruim em nós que sequer nos fizemos?

exigências

é preciso primeiro falar esta língua...
ter lido alguns livros.
ter nascido no brasil na década de setenta.
de preferência em minha cidade suja -
onde os ônibus, muitos, passavam como na passarela do asfalto
desfilando a lama dos nossos esconderijos
e no letreiro frontal o número e o nome do bairro
"cala a boca" era o seu destino

é preciso ter muita consciência da pequenez da consciência
e de si também. além de
poder sentir -se grande.

é preciso sentir vergonha de ser apenas torcida.
de ter apenas gritado ou hasteado e tremulado bandeiras.
é preciso sentir certo desprezo pela beleza óbvia.

mas o que estou falando? ou... melhor!, por que estou escrevendo?
o caso é que seria preciso ser eu para entender sobre isto.
e ser eu é extremamente desnecessário até para mim mesmo!

se fosse eu o que é outro, não seria preciso entendimento e muito menos abraço.
mas é imprescindível hesitar
para chegar perto de mim.

terça-feira, 11 de julho de 2017

o mundo não está pra meia dúzia

como explicar pra gente que mudei meu conceito de gente. gente que eu não sei por onde pega as coisas ditas. gente se entendendo sujeito. e depois grandiosos e sabe-se lá mais o que. há quem mate fácil dessas alturas. como explicar pra gente que agora sinto outro cheiro. aliás, pra que explicar? gastar um tempo com versos, deixar-se estar nos pequenos delírios, não desrotular "viajar" de "vida". não "desetiquetar" escrever do "agora".

quarta-feira, 5 de julho de 2017

quando a gente tem estabilidade, ou ao menos acredita nela, quando a gente não precisa mais de grana, acabou o jogo! somos como gatos ou cães numa sala de estar. estes homens, ainda que ricos, estão sempre correndo atrás de mais grana, até que lhes atravesse um câncer, um ataque cardíaco motivo de coisa qualquer suficiente para encaixotá-los. no entanto, se lhes acabasse a ganância monetária - riqueza. status e moral à venda - eles seriam como bichos: quereriam água, cota de sexo, sua cota de alimento, sua cota de sol e de espaço... viveriam lentos como os gatos, dentro dos instantes. e os relógios tilintariam um barulho vindo do mundo vazio em que só os loucos vivem.



sábado, 1 de julho de 2017

NOS PRIMÓRDIOS



 a escola era um lugar em que aprendíamos que não sabíamos e por isso devíamos nos submeter.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

quaisquer pessoas... estou dizendo, faço turismo de gente nos mundos, nos lugares...
nada mais me interessa...
pode não ser muito, mas não há nada mais!

só as pessoas, suas tosses, suas depressões, suas pequenas agonias secretas escapando por entre as venezianas, para a rua. para o colo libidinoso dos homens.

um lugar fica mais vivo quando pessoas são a sua referência.

domingo, 14 de maio de 2017

CONTRADITADO 1

- Todo mundo vai morrer, somos iguais!


- Como? A morte nos torna iguais e a vida faz o mesmo? Por que pretendes que o que a morte qualifica valha pra vida? Nossa diferença começa no olhar e talvez não termine nem mesmo quando terminarmos!

O que as pessoas querem crer, o que elas precisam crer é muito mais imutável que a própria realidade.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

- nossa relação não está indo pra frente....

- qual o problema? é ruim o presente?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

depois que muito pensei, descobri que era pouco. depois que muito pensei, comecei a ter amigos, independentemente do que eles pensavam, e se eles pensavam, e o quanto pensavam. depois que senti, pensar era pouco.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

DE NÃO VÊ-LA

de quase não vê-la e de resto você estar sempre indo embora
estou confeccionando um pijama
em preto e
branco

domingo, 9 de abril de 2017

o que eu sinto é que há um grandíssimo equívoco em acharmos que o melhor a partilharmos é a verdade. tampouco a mentira. mas a arte de fazer sentir, de se deixar sentir... devo toda alegria de minha vida a uma certa sintonia de ilusão que soube montar os cenários, os personagens que são nossas mãos de tocar, de sentir... saber entregar ao nosso corpo as sensações boas. a mania de verdade tem nos roubado isso. é a mania de verdade que divide o mundo, fazendo de todo o resto do mundo uma mentira... há um grande equívoco na verdade como playground... a verdade é apenas um galpão industrial! ela não serve para amar, para gozar, para viver bem! para isto é preciso sonhar, não com o futuro, mas com o presente. sonhar não como quem projeta, mas como quem chega, estar dentro de um sonho, se deixar seduzir por um anjo bom que sussurra deliciosas fantasias em nossos ouvidos! não como quem se ilude, mas como quem enfeita o em torno e a si mesmo talvez! é isto, poder ver tudo de outra maneira, além do que nos queira impor uma verdade monomaníaca.

pensar em morrer é como que consequência de querer pensar no que é certo!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pensar é tão cego que tantas vezes não consegue discernir "querer" de poder. Até o pobre "querer" vira "poder" no pensamento.

QUERER E PENSAR.

Não posso pensar o que eu quiser. Não podes pensar o que quiseres. Tampouco podemos querer o que pensamos. A relação entre essas coisas é orgânica. E o organismo é diferente do que aquele que enxergamos bio, etno, psico, sociologicamente... O organismo é circunstancial. Querer é apenas um dos fatores que fazem avaliar. E avaliar afetuosamente. Pensar é apenas uma sombra do que se passa, a silhueta disforme da nossa compreensão projetada atrás de nossos olhos. Quem sabe se a pudéssemos ver, do pensar, a torta imagem, não teríamos por isto tanta vaidade.  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ó, CAPITÃO, MEU CAPITÃO!

não acredito em liberdade senão como a sensação de obediência confortável. obedecer ao que se quer, obedecer com alegria. o trabalhador, por exemplo, se acha independente, porque tem seu próprio ganha pão. mas ele sabe, no fundo, que obedece, por depender do patrão. de algo sempre se depende, não há que se envergonhar, amigo! exceto se você se envergonha. dependemos, a começar pelo ar, pelo mar, pelo chão... ao experimentarmos bastante é que vamos descobrindo como, onde e o que ou quem obedecemos com mais alegria, com orgulho. atingi um grau desta sensação de liberdade satisfatório, em crescimento, de modo que não me apetece ter outros patrões ou voltar a tê-los. descobri o prazer do meu peso sobre os pés. sinto conforto em obedecer ao que obedeço, gosto de pagar o meu preço! a ponto de dizer que pereceria por quem ou pelo que me comanda. muito do meu comandante está em mim e já não posso me subordinar a outro. vou construindo meu lugar onde mais me agrada obedecer, não posso voltar ao que foi experimento para que eu chegasse a este agora.
quem sonha demais denuncia seu desgosto com a realidade presente, inaptidão com a vida concreta das ruas, das mãos, dos pés, do pão, do chão, da pá... leão não sonha com manadas, corre atrás. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

SENHORES, MACHADO DE ASSIS

 Não se demonstra uma cocada, come-se. Comê-la é defini-la.  - Machado de Assis

 Não há nada mais tenaz que um bom ódio.  - Machado de Assis

 O vício é muitas vezes o estrume da virtude.  - Machado de Assis

 Dormir é um modo interino de morrer.  - Machado de Assis

 Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.  - Machado de Assis

 Felizes os cães, que pelo faro descobrem os amigos.  - Machado de Assis

SENHORES, WALTER SAVAGE LANDOR

 Não devemos ceder a visões desfavoráveis da humanidade, pois fazendo isso, fazemos os homens maus acreditarem que eles não são piores que os outros, e ensinamos aos bons que eles são bons em vão.  - Walter Savage Landor

SENHORES, GIACOMO LEOPARDI!

Não existe maior indício de ser pouco filósofo e pouco sábio do que desejar uma vida inteira de sabedoria e filosofia.
Giacomo Leopardi
É curioso observar que quase todos os homens que valem muito têm maneiras simples, e que quase sempre as maneiras simples são vistas como indício de pouco valor.
Giacomo Leopardi
Nenhuma opinião, verdadeira ou falsa, mas contrária à opinião dominante e geral, estabeleceu-se no mundo instantaneamente e com base numa demonstração lúcida e palpável, mas à força de repetições e, portanto, de hábito.
Giacomo Leopardi
As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo.
Giacomo Leopardi
O mais sólido prazer desta vida é o prazer vão das ilusões.
Giacomo Leopardi

com que roupa?

Cada roupa encontra em nós uma adequação. Veste bem até mesmo a ambição, agora tenho a minha nos pés como um chinelo. Já a humildade predomina em minhas camisas. Na cabeça sempre um chapéu de pretensão. Para enfeitar as mãos uso metais diversos, feitos com matérias de amizade, de amor, arte e ação... Uso pouco calças, mas minhas bermudas normalmente dão conta de minha circunspecção, civilidade e privação. Considero-me mais simpático quando estou só de calção.