terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ó, CAPITÃO, MEU CAPITÃO!

não acredito em liberdade senão como a sensação de obediência confortável. obedecer ao que se quer, obedecer com alegria. o trabalhador, por exemplo, se acha independente, porque tem seu próprio ganha pão. mas ele sabe, no fundo, que obedece, por depender do patrão. de algo sempre se depende, não há que se envergonhar, amigo! exceto se você se envergonha. dependemos, a começar pelo ar, pelo mar, pelo chão... ao experimentarmos bastante é que vamos descobrindo como, onde e o que ou quem obedecemos com mais alegria, com orgulho. atingi um grau desta sensação de liberdade satisfatório, em crescimento, de modo que não me apetece ter outros patrões ou voltar a tê-los. descobri o prazer do meu peso sobre os pés. sinto conforto em obedecer ao que obedeço, gosto de pagar o meu preço! a ponto de dizer que pereceria por quem ou pelo que me comanda. muito do meu comandante está em mim e já não posso me subordinar a outro. vou construindo meu lugar onde mais me agrada obedecer, não posso voltar ao que foi experimento para que eu chegasse a este agora.