terça-feira, 25 de julho de 2017

eu de ainda há pouco

entre as pessoas que mais odeio
está eu-de-ainda-há-pouco

você acredita, menina,
que eu-de-ainda-há-pouco
falou mal de mim pelas minhas costas
de agora?


domingo, 23 de julho de 2017

um homem assim é adorável: não dizia nada se não achava que merecia a pergunta! - mastigava um miolo de pão, virava o rosto contra o sol, contra o vento, espirrava... queria uma companhia que inventava numa e noutra companhia qualquer. era preciso inventar. acreditar. embora tudo que fosse preciso lhe parecesse tão mesquinho justamente por ser necessitado.

disse que ele nos fez e o culpa. mas que há nele de maior do que nós para que possa ter nos feito? e o que há de tão ruim em nós que sequer nos fizemos?

exigências

é preciso primeiro falar esta língua...
ter lido alguns livros.
ter nascido no brasil na década de setenta.
de preferência em minha cidade suja -
onde os ônibus, muitos, passavam como na passarela do asfalto
desfilando a lama dos nossos esconderijos
e no letreiro frontal o número e o nome do bairro
"cala a boca" era o seu destino

é preciso ter muita consciência da pequenez da consciência
e de si também. além de
poder sentir -se grande.

é preciso sentir vergonha de ser apenas torcida.
de ter apenas gritado ou hasteado e tremulado bandeiras.
é preciso sentir certo desprezo pela beleza óbvia.

mas o que estou falando? ou... melhor!, por que estou escrevendo?
o caso é que seria preciso ser eu para entender sobre isto.
e ser eu é extremamente desnecessário até para mim mesmo!

se fosse eu o que é outro, não seria preciso entendimento e muito menos abraço.
mas é imprescindível hesitar
para chegar perto de mim.

terça-feira, 11 de julho de 2017

o mundo não está pra meia dúzia

como explicar pra gente que mudei meu conceito de gente. gente que eu não sei por onde pega as coisas ditas. gente se entendendo sujeito. e depois grandiosos e sabe-se lá mais o que. há quem mate fácil dessas alturas. como explicar pra gente que agora sinto outro cheiro. aliás, pra que explicar? gastar um tempo com versos, deixar-se estar nos pequenos delírios, não desrotular "viajar" de "vida". não "desetiquetar" escrever do "agora".

quarta-feira, 5 de julho de 2017

quando a gente tem estabilidade, ou ao menos acredita nela, quando a gente não precisa mais de grana, acabou o jogo! somos como gatos ou cães numa sala de estar. estes homens, ainda que ricos, estão sempre correndo atrás de mais grana, até que lhes atravesse um câncer, um ataque cardíaco motivo de coisa qualquer suficiente para encaixotá-los. no entanto, se lhes acabasse a ganância monetária - riqueza. status e moral à venda - eles seriam como bichos: quereriam água, cota de sexo, sua cota de alimento, sua cota de sol e de espaço... viveriam lentos como os gatos, dentro dos instantes. e os relógios tilintariam um barulho vindo do mundo vazio em que só os loucos vivem.



sábado, 1 de julho de 2017

NOS PRIMÓRDIOS



 a escola era um lugar em que aprendíamos que não sabíamos e por isso devíamos nos submeter.