sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

despretensão


A minha relação com a escrita hoje é tão outra. Não sei se melhorou. Isto é com capitalistas. Escrevo muito mais sem ganância. Não me vejo pisando degrau nenhum na escadaria de algum reconhecimento, não quero falar destas coisas com meus amigos. Só chego aqui espontâneo e/ou explodindo, mas como raios de um Céu Turvo. Não me canso escrevendo senão por conta do tipo de aparelho. Sei que sou muito mais livre com letras. Havia antes um eu que esperava. Que quase berrava para um mundo o profissionalismo disto. Hoje haja um carinha talvez. Apenas um carinha por trás destas. Aah veja lá se não é com muita brincadeira que escrevo isto, quero até persuadi-lo! Sabe, o que sinto mesmo é que vou me tornando um cara cada vez mais legal. Se melhoro como escritor? A quem devo isto?

O homem é o animal mais distante de si.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

deus me livre de querer ter peso pra outro! duas pernas... muito as quero!

coisas que me importam

é preciso... não!, nada é preciso! navegar, viver...

eu gosto da história dos homens!, são os únicos que escrevem ou falam suas histórias. são os únicos que enxergam histórias. é claro que os outros animais podem viver histórias, porque os homens veem história. o leão tem uma participação histórica numa manada qualquer. numa família, se houvesse família. há famílias em manadas... não no sentido humano, tampouco civilizado. é por isso que eu gosto da história dos homens. e ela começa com o homem contando história. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

QUE FALEM!

fale em mim o piedoso ou impiedoso! fale em mim o que o faça ver direita ou esquerda. algumas vezes o indiferente, por andar muito calado! fale em mim um ateu ou um cristão... ou os dois se afoitem numa conversa sem fim! fale o que nem mesmo eu sei que há em mim! o que houver de conceito ou preconceito seja exposto! não tenho ideologias da mesmíssima maneira que não tenho filhos, não há orgulho nessas tendências não adquiridas. tampouco filhos ou ideologias são em mim alguma falta. menos ainda são as palavras uma picada que abro em território selvagem, por onde darei meu próximo passo civilizado! não me têm projetos grandes para uma nova realidade, nunca me capturaram de verdade. tenho a realidade de agora, a luz ampliando no chão o vão aberto de uma porta é o meu partido. o medo, a vontade, o risco... um jardim espera por mim sem expectativas de éden. tenho obrigações de um dono de casa, sem que eu seja dono de nada. tenho um homem dentro de mim, intuo muito bem minha semelhança com os outros. ela me diz que está melhor arranjado cuidar de mim mesmo. mas quem senão eu sabe de que cuidados necessito? pois fala em mim também o doente!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

ah, já sei! aquilo que eu gostava de viver num canto. o sonho que eu levava pruma noite pra ter companhias platônicas. alguns velhos amigos reconstituídos como frankenstein um do outro. sentir alguma piedade dos mortos em mim. sou um novíssimo cemitério. é aquela coisa gostosa, que eu levo prum canto, pra ficar comigo quando há silêncio, os demais dormem. é saudade. sim. eu acho que aquilo que sinto, coisa que me acontece com minha colaboração... mas não tenho daquelas que me roubam não! há consentimento. contribui com o sentimento de vida! aquilo pode ser saudade! sim, eu sinto quase que de propósito.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

ter


disputar pares de orelhas
como pratos de feijão
como como entender como
com a fome de um leão

ter na mente a própria cerca
ter no pé o impróprio chão
fome e sede por motor
e água e sal só na visão

só o sonho alimentado
vem me dar satisfação
a morrer feito objeto
está sujeito o cidadão

ter o peito contrafeito
ter os braços penhorados
ter em falta a própria mão

ter um rei por deus eleito
ser deles subordinado
e deles ter desatenção

ter num olho um campo vasto
como um boi arando pasto
de uma alheia plantação

ter no corpo o brio casto
e por herança um verbo gasto
prega resignação


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

IRONIA

aprender o melhor da solidão no convívio com os outros.                                

UM SENTIMENTO

o capitalismo perdeu a graça. não é uma questão de lógica, de cálculos, de ser vantajoso ou superior a outros sistemas utópicos. é muito tempo vivendo nisto! é já não olhar bem a cara do outro esperando o lucro! não tenho outra coisa a sugerir, meus amigos! não tenho uma solução... é um sentimento! que fazer quando algo se trata de um sentimento? contra-argumentá-lo com que lágrimas verdadeiras ou risos sarcásticos?  me convidam para um réveillon a R$ 150,00 por pessoa. há vírgulas entre números. cifras em que se pensar antes de um prazer. parece que já levam em conta que estamos sem saída, sem amigos, que a cidade é isto mesmo: um funil que vai dar em pelo menos isto! pelo menos posso! pelo menos tenho! pelo menos... qualquer coisa exclamada com orgulho! preveem, estes comerciantes, escorando o queixo no punho sustentado pelo cotovelo escorado no balcão, as portas arriadas em prata pra dentro e pra fora, não mares! não cantigas! não moças bonitas de chinelo e sainhas recém saídas de portões que deixarão suas gravuras em nossas memórias! não pensam mesmo - "Que doido!" - penso com voz de menino que grita - outras hipóteses de levarem a vida, mas preveem que já não temos amigos ou deles e de suas propostas, se somos ajuizados contemporâneos, devemos é estar cansados. R$ 150,00, e sou ejaculado em perguntar: que será melhor: estar entre amigos ou garçons? não penso se é caro ou barato! penso num homem pensando se isto dava lucro, luzes do comércio apagadas,  consumindo seu tempo com este pequeno banco de dados de calcular rentabilidades! colchões afundando no peso disto! ele sequencia, ele gera coesão entre essas duas frases: "R$ 150,00", "meu amor!". e "seu amor" está lá dentro, na cozinha do estabelecimento, lavando os copos de um hoje (fomos até tarde! - voz de um garçom prum taxista inédito) pouco lucrativo! "R$ 150,00 por pessoa", ele pensa se isto dá lucro. "lucro pra todos!" dirá num anúncio brilhante! como gostam de dizer os promotores: "ninguém leva prejuízo! todos ganham!" não há mistério, primeiramente! mas não queremos um engano justamente por que é capitalismo? o chato é ter de, com este convite, não pensar nada novo, apenas uma velha minha poesia parafraseada por mim mesmo: chegamos a um tempo tão  miserável, que tudo que podíamos fazer pelo outro era pagar. e tudo que podíamos fazer por nós mesmos era economia. é um sentimento, meu amigo! não me venha com fatos, não há fatos contra sentimentos! são eles que buscamos, são eles que protegemos! são eles um fim! não foi sua arte ou a minha que perdeu o valor por não ter valor monetário, amigo! foi o capitalismo que não achou outro valor além desse!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ele diz: quando você chegar onde você quer, não esquece de onde você veio.

eu respondo risonho: eu acho é que já passei de onde eu queria!


diz: as pessoas aqui perguntam por você.

eu respondo: diga a eles que agora posso ser só o que eles quiserem.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

chegamos àquele ponto
em que a lucidez sobrepôs o encanto
e fomos viver
cada qual
no seu canto
e os outros nos deram suas caras de espanto
que era saber pouco do que lhes parecia tanto

em louvor aos suicidas

a gente tem mania de pensar que quando a gente sofre há algo errado. a gente sempre pensa em culpados. em santos! em pessoas de mal! a gente tende a criar esses polos, porque a gente sofre. a gente nunca para pra pensar que sofrer pode ser uma lei da vida, pode ser fundamental, natural, acidental. a gente parece que quer sempre apontar uma arma pro dentista, pro vendedor, pro empresário, pro ateu, pro político, pro doutor, pro pobre, pro branco, pro policial, pro negro, pra mulher, pro gay, pro negro, pro pastor, pro negro, pro negro, pro negro. pro negro gay e pobre. mais um disparo na cabeça, pra confirmar que ele já não se mexe... a gente tá sempre pronto pra apertar um gatilho e disparar um cartucho repleto do mais explosivo: a vergonha de serem o que não somos.

pra mim quem não usa drogas pra viver é maluco.

ansiedade

agora terei de esperar alguns anos, que devem demorar horas!

já tô virando aquele sujeito que diz àquele outro, que vem depois do fazer me criticar: ah, me esquece!

alô, anatel? quanto a gente tem de pagar pra não receber mais ligações de vendas?