quarta-feira, 28 de março de 2018

E ainda resta um homem. (desamparo)



Ver o amor despido, feio como um interesse qualquer... Descobrir o amor infame, chantagem de um para outro. Ver o amor, possessividade bem vestida,  aguardando mais que a reciprocidade, a escravidão alheia... Permanecer de pé com o amor caído do desequilíbrio da nossa cabeça, quebrado no chão áspero, pisar seus cacos... cortar-me de joelhos...  Estancar meu sangue, fechar meus olhos, sentir que o amor houvera sempre mentido! Descobrir-se sozinho na meia-idade, ante uma juventude alheia, que não sabe o que é desesperança, e se crê protegida e distante da morte. Não sabe o que é isto no grau em que vivo isto. Ter inveja da sua ignorância! Ter inveja da sua crença estúpida! E ter maior, sobretudo, inveja das coisas que não vivem. Agradecer a Deus a mímese de morte que  é o sono, e O vilipendiarmos todas as vezes que acordamos!

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