terça-feira, 1 de maio de 2018

ANTES DO BOOT




a minha poesia quando pede pra sair por aí
dar uma volta nos alheios
é alguma coisa entre um banho
e a bermuda que me espera
minha poesia suburbana
escuta de um engenho social que é atraso e negligência


sai!
um tanto chacoalhada com as roupas na máquina
esperando a fresta de sol para esticar
as roupas do homem que seminu é poeta.
aproveitando-se sempre do momento impróprio como propício

sai! do meu peito angustiado de quem deve...
o café esquecido no microondas...

vai avessa à discussão febril dos homens descobrindo o contrário sem saber que é um espelho o outro

a poesia inesperada por nós...
o violão que tomou meu colo...
será o namoro dela com uma canção sem rima?
as mãos montando acordes em letras
chovem dedos em cima

será vento que deu ligeiro nas minhas intenções
enquanto o dia geme e rosna seu custo
cada vez mais tenso até que
encerra meu verso

e o eu-que-funciona
triste se reinicia

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